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Green IT: Seu site é verde ou altamente poluente ?

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Buscador “Verde” da CO2Stats

“Visando preservar o meio ambiente, a Empresa adotou medidas que tendem a reduzir o impacto ambiental causado por sua existência. Entre as medidas adotadas está a conversão de documentos impressos para o modelo eletrônico e a aquisição de cotas de carbono para equiparar a emissão do gás causado pelos servidores que hospedam este site”

Este “disclaimer” vem se tornando comum nos websites da Web em 2009. No Brasil ainda, poucos sites se estruturam ou conhecem como podem colaborar com a redução da emissão de gazes poluentes.

Mas você deve estar pensando: Meu “site” ? Poluente ?

Seu site está hospedado em algum lugar, certo ? Ótimo, você então já parou para pensar o quanto sua terceirizada de Hospedagem ou Datacenter consome para te atender ? Quando você exige um SLA de altíssima disponibilidade, já parou para pensar como a Empresa vai se “estruturar” para lhe atender ?

Este é o grande desafio da TI moderna, equacionar Disponibilidade com Sustentabilidade, garantindo um gerenciamento de níveis de serviços coerentes, porém, altamente responsáveis, fornecendo, por meio da Governança, informações transparentes e sólidas sobre os esforços que estão sendo feitos para a minimização de impactos ambientais.

E é neste ponto que começamos a ter lá fora interessantes iniciativas as quais apresento para uma pontual análise por parte dos leitores.

1) Torne Seu site Eco-eficiente:

A iniciativa é da CO2stats (www.co2stats.com), criada por dois jovens britânicos, Tim Sullivan and Alex Wissner-Gross, em outubro de 2007, conta hoje com apenas 3000 (três mil) sites aderentes [1] O projeto tem por escopo tornar as páginas da internet mais “responsáveis”. Com o serviço, é possível automaticamente calcular o consumo de energia de seu website, além de receber informações sobre como tornar um site “eco-eficiente”, bem como sobre a quantidade de energia renovável que deve ser adquirida (comprada) para fazer a neutralização das emissões de carbono (energia solar e eólica, por exemplo) [2].

Tudo que se deve fazer é copiar o código e inserir na página. A proposta aqui é interessante: “Encoraje seus visitantes a permanecerem por mais tempo em seu site”. Mas será que os internautas do Brasil estão tão “evoluídos” a ponto de “contar no relógio” o tempo que permanecem em um site?

A empresa apela para frases do tipo “Você sabe que é verde. Mas como seus clientes vão saber disso ?” Segundo o serviço, é possível certificar que o site está utilizando energias renováveis, como eólica e solar.

Assim, é possível ao cliente do site descobrir o consumo de energia elétrica para visualizar o site, acumulado até o presente momento, em libras de CO2, graças a um bannerzinho patrocinado estampado no site:

Não há restrições para o host e o preço do plano mínimo é $4,95 por mês, dependendo dos “page views” do site. Nos Estados Unidos, onde a compensação de carbono é bem regulamentada pelo EPA (Environmental Protection Agency), parece uma estratégia interessante neutralizar carbono emitido pela TI.

2) Host e Hospedagem “Solar”


Em Redmond a empresa que vem fazendo sucesso é a AISO.NET [3], que simplesmente oferece serviço de hospedagem de dados 100% solar. A empresa conta com dezenas de “Painéis Solares” para suportar o que chama de “cento de dados verde”. A companhia é a primeira a se filiar ao E.U. Green Building Council (USGBC).

Os Resultados? 60% (sessenta por cento) menos energia e 50% (cinqüenta por cento) menos calor, é o que informa a AISO.NET em seu site. No portal, é possível também bisbilhotar os painéis solares que suportam o host em tempo real:

Segundo a AISO.NET: “O nosso centro de dados do ambiente em termos de design é totalmente enquadrado em aço sem madeira em todos, exceto para as portas no interior do edifício. Nossas paredes têm mais de 12 polegadas de espessura e preenchido com isolamento que tem conteúdo reciclado. Construímos o nosso centro de dados, rede e servidores a partir do início para utilizar a menor quantidade de energia possível utilizando as mais recentes técnicas e concepções verdes, nenhuma outra empresa hospedeira pode fazer aquilo que fazemos sem começar do zero.”

A AISO também informa que está construindo um “telhado verde”, uma camada de terra de 3 a 4 polegadas de expessura com plantas resistentes a seca. A redução anunciada é impressionante: 50% de redução de energia para aquecimento e refrigeração.

3) Este site é verde!

A onda está começando nos Estados Unidos e Europa. Um selo que atesta que o “site é verde”. Bem, não é bem isso, na verdade é a hospedagem que é verde, mas a proposta vem crescendo lá fora e quem vem se destacando é a DreamHost [4].

O funcionamento? Um pouco diferente! A empresa compra certificados de energia renovável e assim se torna “carbon neutral”, amenizando todas as suas emissões de carbono de todas as suas atividades de negócios. Assim, toda a energia gasta pela hospedagem do site é compensada com ações ambientais que geram certificados, como plantio de árvores, por exemplo.

A Empresa atua com certificados comprados no Green-e (http://www.green-e.org/) que possui um programa para certificação de empresas que cresce em todo o mundo.

Puxar um selo para o seu site e fingir ser “verde” ? Sem condições, eis que existe um sistema de auditoria e certificação[5]:

Conclusões ?

Embora não se possa comprovar a real efetividade de tais sistemas, eis que embrionários, o fato é que parece que alguma coisa fazem pela redução da poluição causada pela tecnologia da informação. Igualmente, algumas deduções/princípios começam a se consolidar, ainda que modestos, quando o assunto é “Datacenters Verdes”:

1) Um datacenter pode “comprar energia verde”, mas isso não faz dele um redutor no consumo de energia.

2) Um datacenter pode “instalar” ar quente/frio nos corredores, mas não necessariamente resulta na melhor forma de redução de energia.

3) O que pode ser significativo é o PUE (Power Usage Efectiveness), figura chave que mostra realmente como o Datecenter é, em termos de “Sustentabilidade”. Mas existem outras métricas a serem consideradas.

4) Pelo PUE, é possível calcular quanto de energia está sendo direcionada para recursos de TI, em comparação a não recursos de ti, como refrigeração e iluminação.

e) Segundo o EPA, o PUE 1,0 indica 100% de eficiência.

5) Segundo o EPA, o PUE dos datacenters americanos é de 2.0 a 3.0

6) No Brasil, não temos métricas aceitáveis para o PUE. Então importamos de fora.

7) A Ti Verde deve conjugar esforços envolvendo a redução interna e a compensação financeira dos valores gastos. Um misto entre PUE e compra de certificados para compensação.

8) Ti verde é mais que “DataCenter”

9) Nem tudo é “energia”. É preciso pensar em “água”.

10) Projetos como selo “site verde”, tem custo relativamente barato, e podem ser considerados uma poderosa estratégia de marketing. É bem improvável que um Diretor de Sustentabilidade rejeite um projeto desta natureza. Já a estruturação de um “Data Center Verde” é onerosa, mas considerando a demanda futura, os exemplos trazidos, e outros indicadores, pode oferecer Retorno do Investimento (ROI) em pouquíssimo espaço de tempo.

NOTAS:

[1] http://www.co2stats.com/FastCompany081124.pdf

[2] http://www.alexwg.org/LATimes071123.pdf

[3] http://www.aiso.net/index.asp

[4] http://www.dreamhost.com/

[5] http://www.dreamhost.com/images/aboutus-green-cert.gif

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